Não sou eu quando não estou contigo.
Questionadora, eloquente, persuasiva, popular, um tanto agressiva, mas convincente! Sou esta que todos querem ter por perto, cheia de histórias para contar, teses para defender, pontos de vista para demonstrar e nada pra explicar a ninguém! Mas se eu olho esse seu sorriso eu fico assim...Catatônica, gaga e pateticamente esdrúxula. Monossilábica, tímida e desconcertada... Atrapalhada, com dois pés e duas mãos esquerdas... Paralisada, aérea e concordante! Ridiculamente acometida de dislexia verbal seguida de um raciocínio unitário de tocar teus lábios num beijo e desabotoar-lhe as calças, como se nisso estivesse toda a minha fonte de erudição. E então sou as palavras tolas, os raciocínios descabidos, as piadas sem graça nenhuma e os pezinhos trêmulos que ficam balançando e balançando irritantemente e sem parar... sou as pernas que ficam cruzando e descruzando... O Incômodo, a impaciência, a ansiedade bem ali diante desses teus olhos. Esses teus olhos, que passeiam acima e abaixo... E depois se fecham e se abrem devagarinho enquanto me devoram inteira. Enquanto me olhas eu fico só percebendo a fuga voraz de toda a sua extremosa educação de menininho perfeitinho educado nos melhores colégios, lá se vão teus receios, tua contenção, teus pudores! E eu? Nessa hora eu intuo mais do que entendo e farejo mais do que penso. Porque quando teus olhos me devoram assim há algo que sai de você e vai pra mim me retirando a condição de homo sapiens, que faz de mim um bicho, uma fêmea no cio rebaixada à urgência do instinto animal. E isto apenas por causa desses teus olhos e dessa tua boca.
Ainda e
sempre essa tua boca, eloquente, coesa e segura. Como se isso
importasse alguma coisa! Tua
boca. Ah, para ela ergui um altar!
Aquela foto ali na cabeceira da cama.. Olhando pra ela te beijo, faço preces diárias, promessas e juras de amor eterno. Não sou eu quando não estou contigo.
Sou razão pura e não esta emoção estrondosa. Sou cidade, prédios, poluição e trânsito pesado e não este campo florido, esta terra molhada, fértil e seminal. Sou o simples contorno exterior de mim mesma e não o preenchimento interno de tudo o que afinal me compõe.
Definitivamente eu não sou eu quando não estou contigo.
Aquela foto ali na cabeceira da cama.. Olhando pra ela te beijo, faço preces diárias, promessas e juras de amor eterno. Não sou eu quando não estou contigo.
Sou razão pura e não esta emoção estrondosa. Sou cidade, prédios, poluição e trânsito pesado e não este campo florido, esta terra molhada, fértil e seminal. Sou o simples contorno exterior de mim mesma e não o preenchimento interno de tudo o que afinal me compõe.
Definitivamente eu não sou eu quando não estou contigo.



